O colar feito à mão



Ela tem a pele clarinha, olhos azuis e é loira. Só que quando você olha bem na raiz dos cabelos dela você consegue ver aquele ruivo que ela tenta esconder, mas as sardinhas do seu rosto não deixam passar batido. Ela é doce.


Ela encontra forças antes do sol nascer para arrumar seus cabelos antes de ir para o trabalho e cada dia mostrar uma versão diferente. Com a camisa branca trivial de todos os dias ela consegue fazer looks variados com seus colares, gravatas e lacinhos.


Eis que ela chega com um colar de tecidos. Lindo, vinho e impossível de passar batido.


- Que colar lindo!

- Ah, obrigada. Fui eu que fiz.


“Fui eu que fiz”. Essa eu nunca iria imaginar.


Semana seguinte ela chegou com um rosa. Era de se esperar que ela teria uma coleção deles.


Toda manhã no restaurante recebemos aqueles clientes que quase viram amigos de prosas matinais. Nós já sabemos o que eles querem, eles não precisam nem fazer seus pedidos e o sorriso ao entregar seu café do jeitinho que eles gostam é certeiro. E no meio desses “amigos” tem aquele casal. Eles abrem aquele sorriso ao passar pela porta, param no balcão para saber como estamos e sempre lembram das conversas dos dias anteriores.


E nesse dia o colar dela não passou batido. A senhora reparou nele.


- Que colar lindo!

- Ah, obrigada. Fui eu que fiz.


“Fui eu que fiz”. Essa a senhora nunca iria imaginar.


Dias depois a menina do colar de tecidos aparece no bar nervosa.


- O que foi? Tá tudo bem com você?

- Tá sim...

- Você tá nervosa?

- Eu acabei de entregar um colar pra ela. Ela tinha achado bonito e eu fiz um. Não sei se ela vai gostar.


Eu não sei o que a senhora achou, mas eu iria amar.

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